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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Como se confecciona, a mão e sem sobras, um longo de chiffon de R$7.290,00

Já faz um tempo que a revista Veja publicou essa matéria sobre um vestido do estilista Carlos Miele. Achei muito interessante como informação para os leitores.



Para os padrões do mercado internacional de produtos de luxo, o vestido longo de chiffon mostrado aqui é praticamente uma pechincha: custa, no Brasil, 7 290 reais. Para a maioria dos consumidores, é um preço de lascar. A justificativa da etiqueta salgada começa numa fábrica de 4 000 metros quadrados em Osasco, na Grande São Paulo, onde 157 costureiras se debruçam sobre tecidos, linhas e agulhas para produzir os esvoaçantes modelos de Carlos Miele encontrados pelo mundo. Cada peça é feita com destino certo, seja ele o mostruário da loja do estilista em Nova York, uma arara da Browns, em Londres, ou o armário de uma das várias clientes no Oriente Médio. Estas, com uma peculiaridade: são das poucas a requerer manequim 44, uma enormidade em roupas do gênero. Quase tudo é feito a mão, do corte do tecido ao amassado do busto e aos detalhes decorativos. O modelo aqui mostrado, que atende pelo número 6230386, demora três dias para ser confeccionado, do corte à aplicação da flor. "O luxo é um artesanato de alta qualidade", descreve Miele.

  


Fotos Roberto Setton

 
Passo a passo


1. Todas as estampas são exclusivas e os tecidos mais caros ficam trancados em um armário. Como sobras não podem ser devolvidas (para que não sejam usadas por outras marcas), as encomendas são rigorosamente calculadas. Cada parte do molde tem de ser cortada no tamanho exato. Um picote aqui e outro ali são marcações para facilitar a montagem da roupa. 


2. Seguindo as marcações, o corpete é construído no manequim do tamanho encomendado antes de ser costurado a máquina.




3. Cada babado é debruado com um tecido especial, no tom do vestido.









 4. As camadas da saia são montadas no corpete, a mão, e depois passadas na máquina. Avesso e direito do tecido são iguais, pois ambos aparecem quando a roupa está em movimento.

 5. Para criar a aparência do franzido no busto, o tecido é molhado, torcido e colocado na máquina de secar. Alfinetes marcam as preguinhas resultantes. Depois, cada alfinete é substituído por um pontinho feito com linha especial, mais fina que a comum.





6. A flor que decora a saia é montada pétala por pétala, cada uma com um debrum próprio.



 
 7. A flor é costurada no vestido.


 8. Por fim, são cortadas as sobras de linha.


9. A costureira passa e revisa a peça. Se necessário, uma modelo prova o vestido para checar se o caimento está perfeito.


 10. Quando tudo estiver pronto e aprovado, a roupa passa ao setor de embalagem, onde é envolvida em papel de seda, etiquetada, colocada em uma caixa, pesada e, por fim, despachada.







Bel Moherdaui